Especialista analisa a questão da Sexualidade Humana e Preconceito

A sexualidade humana se forma da mesma maneira que o psiquismo, a partir da carga genética, das identificações e introjeções que a criança faz das características do meio em que vive e das pessoas com as quais convive. Portanto, a sexualidade sofre influência da cultura em seu conteúdo manifesto, mas é sempre plural. A afirmação é Gilda Paolielo -médica pela UFMG – Universidade Federal de Minas Gerais, psicanalista, especialista em psiquiatria e psicoterapia pela Associação Brasileira de Psiquiatria e professora do curso de pós graduação em psiquiatria do Instituto de Pesquisas médicas (IPMED) em Belo Horizonte, São Paulo e Salvador, durante palestra na última reunião rotariana.

Segundo a especialista, a sexualidade humana não é preconcebida, ela é construída de acordo com as vicissitudes da história de cada um, tão individual e particular como a personalidade. Portanto, a sexualidade sofre influência da cultura em seu conteúdo manifesto, mas é sempre plural.

A questão do preconceito em relação a sexualidade explica a especialista, se revisarmos a história do preconceito sexual veremos que a intolerância às manifestações “diferentes” da norma surgiu como pecado, no nascimento do cristianismo, passando logo depois a ser considerada crime e, no século XIX, patologizada como doença. Estas heranças de intolerância são mantidas culturalmente. Mas não podemos deixar de considerar o preconceito subjetivo, enraizado no medo que uma pessoa demonstra de ser identificado como “desviante da regra”. “Este componente do preconceito pode estar relacionado à insegurança sobre a própria identidade sexual e a oposição violenta ao “diferente” seria um meio de reafirmar a própria identidade para ganhar uma suposta aprovação social. Assim a pessoa inicia um processo de rejeição projetada no homossexual, por exemplo, para encobrir seu próprio desejo inaceitável”.

Preconceitos, culturas e países

Gilda Paolielo explica ainda que, o preconceito sexual é um sentimento individual, mas muitas vezes promovido por instituições como as religiões, grupos homofóbicos como os skin heads e neonazistas e até mesmo o estado. Em muitos países, como a Índia a homossexualidade é considerada crime até a atualidade. Na Alemanha nazista era punida pela morte e somente foi descriminalizada na década de 70 do século XX! As manifestações vão desde o preconceito velado, passando pelo insulto verbal, bullying e difamação, até atitudes agressivas e francamente discriminatórias, ofendendo radicalmente os direitos humanos.  Desde 1991 a anistia internacional passou a considerar a discriminação sexual uma violação aos direitos humanos. Em 1973 a Associação Americana de Psiquiatria retirou a homossexualidade de seu código de classificação de doenças e, em 17 de maio de 1990 foi, finalmente, a vez da Organização Mundial de Saúde fazer tal retirada do código internacional de doenças. Este passou a ser considerado o Dia Internacional contra a homofobia.

Com relação a questão no Brasil, a especialista relata que existem evidências históricas de que a homossexualidade era comum e aceita entre os índios, antes da chegada dos europeus. O Brasil foi um dos primeiros países no mundo a descriminalizar a homossexualidade, por um ato de D. Pedro II, em 1830. O primeiro foi a França, em 1791, após a Revolução Francesa, com a proclamação dos princípios universais de liberdade, igualdade e fraternidade. Contudo, com a catequização dos índios e a oficialização da religião cristã, a moral católica, que considera ser o ato sexual destinado apenas à procriação, e o preconceito arraigaram-se na sociedade brasileira. Atualmente, com a disseminação da religião evangélica esta tendência se ampliou, e o Brasil acompanha a tendência mundial à intolerância, tendo a maior prevalência de violência contra a população GLS no mundo!. À medida que os homossexuais conquistam e ampliam seus direitos os movimentos homofóbicos crescem como reação.

Gilda Paolielo orienta que é preciso ampliar a educação sexual de forma natural e responsável. Em vários países da Europa, como por exemplo, na Inglaterra, as crianças são apresentadas, desde bem cedo, à questão das diferenças sexuais como um direito de cada um. A homossexualidade é apresentada apenas como uma das formas de expressão da sexualidade, inclusive através de contos infantis, finaliza a médica.

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